segunda-feira, 9 de março de 2009

Os dois guardas subiram os degraus e bateram a uma das portas.
— Que querem? — ouve-se. Era a voz da matrona.
— D. Leonilde? — perguntou outra voz, ainda mais boçal.
— Que querem? — repetiu a tal.
— Que nos abra a porta. Temos aqui a ordem para a levarmos e revistarmos a casa.
— Outra vez? A estas horas?! Cambada! Já uma pessoa não pode viver com decência — disse ela com voz altercada.
A vidente, a cartomante, a esotérica, a bruxa, tudo quer dizer o mesmo, eu sei... a matrona Leonilde abriu a porta, e a Judite entrou.
— Lá vão as minhas cartinhas, os meus búzios, as pedrinhas da praia que tanto custam a apanhar, a lâmpada encarnada, o mocho embalsamado…
— A senhora também vai, descanse! — disse um.
— Vou, mas volto, essa agora! Já não se pode trabalhar honradamente neste país. Da outra vez também foi assim. Entrei e saí.
— Já tem idade para ter juízo, minha senhora — disse o outro.
— Juízo? Deixem-me rir. Ah! Ah! Basta dizer lá na polícia os nomes de homens e senhoras que me pedem conselhos. Ainda ontem esteve aqui a mãe dum distinto deputado a querer saber do futuro dele…
lp

2 comentários:

Léo Mandoki, Jr. disse...

ahahaha.... mesmo bom!!! ler a d. leonilde e ouvir el gato negro...eheheheh...de facto qual o mal que há em ser prestidigitador?? adivinhar o futuro é coisa seria e de extrema responsabilidade...

Anónimo disse...

Tem todo a razão, meu caro Léo.
Não se deve brincar com coisas sérias.
Falta censura a estas crónicas dum tal lp.